Museu Oscar Niemeyer, mostra fotográfica de Sebastião Salgado.
O Museu Oscar Niemeyer (MON) recebeu de novembro de 2014 a junho de 2015, nas salas 4 e 5, a exposição “Genesis”, do fotógrafo Sebastião Salgado. Com curadoria de Lélia Wanik Salgado, a mostra de oito anos de trabalho, com 245 imagens selecionadas, divididas em cinco seções geográficas. Dentro delas, o visitante pôde observar as fotografias com temas como montanhas, desertos, florestas, tribos, aldeias, animais. Seu trabalho, focado na temática social, com fotografias em preto e branco e bastante contrastadas.
Fruto de mais de 30 viagens, o objetivo do fotógrafo com esta mostra foi levar ao público ambientes que ainda não tenham sido atingidos pela vida moderna e que se mantêm intactos na natureza.
Seções temáticas
A mostra “Genesis” é dividida em cinco partes, em seus respectivos ecossistemas:
Planeta Sul
A Antártica, suas paisagens congeladas e seus destemidos animais, como pinguins, leões marinhos e baleias, fotografados inclusive em suas zonas de reprodução na Península Valdés.
Também estão nessa seção imagens do Sul da Georgia, as Falklands/Malvinas, o arquipélago Diego Ramirez e as Ilhas Sandwich, onde as numerosas espécies de albatrozes, petréis-gigantes, cormorões e também pinguins vivem.
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| Iceberg entre a ilha Paulet e as ilhas Shetland do Sul no mar Weddell. Península Antártica. 2005 |
Santuários
Abrindo com as singularíssimas paisagens vulcânicas e a fauna das Ilhas Galápagos, engloba ainda as populações anciãs da Nova Guiné e Irian Jaya, os Mentawai da Ilha Siberut (nos arredores da província de Sumatra, na Indonésia), e paisagens, vida selvagem e vegetação dos diferentes ecossistemas de Madagascar.
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| Teureum, sikeirei é chefe do clã Mentawai. Este xamã está preparando um filtro para sagu, a partir das folhas do próprio saguzeiro. Ilha Siberut. Sumatra Ocidental. Indonésia. 2008 |
África
A impressionante variedade de imagens: da extraordinária vida selvagem do Delta de Okavango, na Botswana, até os gorilas do Parque Virunga, na divisa de Ruanda, Congo e Uganda ; do grupo Himba, da Namíbia, e dos tribais Dinkas do Sudão, até a população do Deserto Kalahari em Botswana; das tribos do Omo Sul, na Etiópia, até as antigas comunidades cristãs do norte da Etiópia.
Na África, revelam-se espetaculares - e numerosos - desertos, com suas cores indo do cinza escuro até o vermelho profundo, suas texturas de areia e pedra; alguns são planos, como oceanos, outros estão interrompidos por montanhas áridas. Em algumas imagens capturadas na Líbia e na Argélia, veem-se sinais de vida, não somente cactos e roedores mas também na arte rupestre datada de milhares de anos.
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| As mulheres mursi e surma são as últimas mulheres do mundo a usar discos para estender os lábios. Dargui, povoação mursi no Parque Nacional Mago, perto de Jinka. Etiópia. 2007 |
Terras do Norte
Mostra as visões do Alasca e do Colorado, nos Estados Unidos; as paisagens naturais do Parque Nacional Kluane, no Canadá; estão aqui também o extremo Norte da Rússia, incluindo o local de reprodução do urso polar na ilha Wrangel, a população indígena Nenet, no norte da Sibéria, e também a península Kamchatka, na ponta mais oriental da Rússia.
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| Parque Nacional de Kluane, Canadá. |
Amazônia e Pantanal
A enorme floresta tropical, vista do céu, é cortada pelo rio Amazonas e seus afluentes – e o desenho lembra uma gigantesca árvore da vida, com braços e mãos se estendendo do coração do Brasil em direção aos países vizinhos. Seguindo em direção ao Norte para capturar os Tepuis Venezuelanos, as mais antigas formações geológicas na terra, a seção inclui ainda as imagens da vida selvagem do Pantanal no Mato Grosso, da tribo indígena Zo e, “contatada” pela primeira vez há apenas duas décadas, assim como as tribos mais assimiladas do alto Rio Xingu.
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| Na região da bacia do Xingu, estado de Mato Grosso, um grupo de indígenas Waurá pesca na lagoa Piyulaga, perto de sua aldeia. Mato Grosso, Brasil. 2005 |
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| Mulheres da etnia Zo'é, Pará, Amazônia |
Genesis
A documentação, que também resultou em um livro de nome homônimo, já passou por Museus dentro e fora do Brasil. Suíça, França, Itália, Inglaterra e Canadá são alguns países. China, Coreia, Alemanha e Portugal vão receber a mostra em 2015.
No Brasil, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro já receberam a exposição. Em Curitiba, o público pôde conferir a mostra até março (prorrogado) 14 de junho de 2015 no Museu Oscar Niemeyer.
Na obra de Sebastião Salgado, este é o terceiro mergulho de longa duração em questões globais. As primeiras foram Trabalhadores (1986-1992) e Êxodos (1994-1999), que retrataram as duras consequências das radicais mudanças econômicas e sociais sobre as vidas humanas.































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